A má notícia é que o blog está saindo do A Postos, esse coletivo de gente bonita e desocupada que troca farpas o dia inteiro pela nossa lista de e-mails impublicável. A parte boa é que troquei de sevidor e o blog não vai sair do ar cada vez que posto uma coisa e mais de 50 nêgos acessam ao mesmo tempo. Bom negócio, vai.
Aproveitei o fato de que já estava mexendo no blog para incluir um botão de like aí na lateral dos posts e um esquema de envio dos posts por e-mail: tipo uma assinatura de feed para quem não usa feed nem sabe o que isso significa. Sempre que eu postar, os posts vão aparecer no e-mail de quem se inscrever. Logo a parada entra no ar
O endereço novo é: http://julianacunha.com/blog/

Juliana Cunha

Desde que os exemplares do meu livro chegaram na editora e se tornaram um objeto físico, um estorvo no meu caminho, tenho tido sonhos terríveis: sonho, por exemplo, que sou aquela moça que fica ali na Maria Antônia vendendo os próprios livros:
“Quer contos?”. “Gosta de contos?”.
A qualidade gráfica + abordagem são tão boas que volta e meia um desavisado pega pensando que é panfleto. Lá vai a louca correr atrás da boa alma, que a essa altura já está com o bracinho levantado, encaminhando “os contos” para a lixeira mais próxima.
Algo me diz que a maior parte das vendas dela entra nessa categoria: “compra por vacilo”.
Existe algo de muito pedante em publicar o que quer que seja hoje em dia. Acho que cometi a pedância da melhor maneira possível: dividindo a autoria – e a culpa – primeiro com a Ludmila, depois com todo mundo que comprar o livro e rabiscar nele. Me parece melhor do que forçar a amizade com um, sei lá eu, romance a essa altura do campeonato, sabe?
Digo, do meu campeonato. Acho incrível quem senta a bunda a escreve um romance, que engole o eventual ridículo que vai passar, a família citando trechos no jantar de forma repugnante, tudo isso que a gente vivencia tendo um blog, só que exponenciado de uma forma que os nervos mais sensíveis jamais aguentariam.
Eu estava ficando quase tranquila de que não seria tão complicado vender os 300 exemplares do Gaveta de Bolso quando a editora resolveu fazer um reimpressão: dobrar a quantidade de livros antes mesmo do lançamento.
Era uma boa notícia – a venda pelo site, que ainda nem havia sido oficialmente aberta, estava sendo animadora -, mas amedrontadora.
Em agosto deste ano, eu estava revisando meu livro quando li uma notícia desanimadora vinda do Estadão. Segundo a matéria, o mercado sofre de uma superprodução de livros. Em 2009, as editoras produziram 55 milhões de exemplares que não conseguiram vender. A maior parte deles foi destruída.
Por destruída eu quero dizer destruída, não estocada, doada ou vendida no balaio de R$ 9,90.
Depois dessa, destruída fiquei eu, que passei a ter sonhos com lançamento fracassado e exemplares dilacerados.
Após o choque, respirei fundo e pensei que ninguém precisa saber se os livros encalharem, mas muita gente ficará sabendo se o lançamento por um fiasco. Consultei duas fontes de pouco crédito no mundo editorial que me disseram que lançamento fracassado é lançamento com menos de 100 pessoas.
O foco agora é ter um lançamento cheio, mesmo que ninguém compre o livro. A gente, afinal, é classe média: sempre soube viver de aparência.
Até o momento, 204 mentirosos disseram no Facebook que vão comparecer ao lançamento. Não confio nessa gente. Se vocês puderem, por favor, fazer figuração no lançamento para não me deixar passar muito ridículo, agradeço.
PS: É sério.

Quando? 29/10, sábado, das 16h às 21h
Onde? Cartel (rua Artur de Azevedo, 517, Pinheiros, São Paulo, 11 3081-4171, www.cartel011.com.br)
O que vai ter? Bebidas, petiscos, música, venda de livros e de mimos sobre o livro. Quem quiser brincar de DJ pode levar o iPod
Tem lembrancinha? Pior que tem! Todo mundo que for ao lançamento vai ganhar o e-book grátis
Pode? Pode levar cachorro, pode levar criança
Juliana Cunha

Ontem fui ver Marlon Brando gritando Stella na tela grande graças à Mostra Internacional de Cinema, que exibiu A Streetcar Named Desire junto com uma mini-palestra da escritora Frances Kazan, viúva do diretor do filme.
A exibição foi no Museu da Imagem e do Som e, logo na saída, havia uma feirinha de antiguidades tipo a do Masp. Aliás, tipo a do Masp é sempre eufemismo: começo a suspeitar de que os expositores do Masp, Benedito Calixto e demais feiras de antiguidade da cidade são sempre rigorosamente os mesmos, com taxa de rotatividade de menos de 10% das barraquinhas entre uma feira e outra.
Na cota de novidades dessa feirinha do MIS havia um exibidor incrível de antiguidades escandinavas e outro de antiguidades alemãs que vendia nadadorinhas de porcelana completamente adoráveis.
O tipo de antiquidade que me seduz nem é muito antiga – décadas de 40, por aí -, mas tem como não amar?
Atualmente, me encontro abaixo da linha da pobreza enquanto pago as despesas da minha viagem de férias, por isso, nem olhei o preço para não ter ideia errada.



Juliana Cunha

Uma vez li essa pesquisa – não lembro a fonte, desculpa – sobre as consequências psicológicas do emagrecimento. Era mais ou menos assim: todo mundo acha que emagrecer é bom e ponto, mas pessoas obesas que emagrecem bastante frequentemente ficam loucas do cu.
A matéria citava casos clássicos como a da ouvinte do É O Tchan que, quando magra, se recusa a vestir roupas porque “tudo que é bonito é para se mostrar” e dos iludidos que, ao emagrecerem, descobrem que os amigos são uns cornos competitivos que só pegavam leve com ele porque o viam como “fora do mercado”.
Mas o caso realmente interessante era o dos ex-obesos que sentiam que estavam desaparecendo. Segundo o médico entrevistado, emagrecimentos radicais eram entendidos pelo cérebro como uma amputação. A pessoa se sentia péssima por ocupar tão pouco espaço no mundo.
Estou vivendo algo parecido nos últimos dias, só que em uma versão capilar.
Eu tenho esse cabelo que começa bem fino e liso e vai se rebelando ao longo do percurso, sabe como é? Tipo a Consolação, que começa ruela e termina com vibe de avenida.
Acontece que cortei curto, bem curto: quatro dedos abaixo das orelhas. Bastou cortar para eu desaparecer. Desde então, quero engordar, quero colocar um aplique, quero vestir umas mangas bufantes, quero sair na rua usando três bumps ao mesmo tempo, quero, enfim, ocupar um lugar no mundo.
Já sentiu algo assim? É medonho!
♫ Foster The People, Houdini ♫
Juliana Cunha

Laura é uma dessas pessoas estranhas que assinam sem sobrenome – tipo Cher – e moram na Carolina do Norte. Ela tem uma loja na Etsy onde vende pequenos animais moldados em resina. Alguns deles são colares, outros são brincos e outros ainda são apenas enfeites.
Ver o processo de trabalho dela é uma delícia. Morri um pouco pelo brinco de raposa da última foto.
A pessoa que inventar a compra internacional via débito ou via boleto bancário vai conquistar o mundo, além dos corações de quem, como eu, morre de medo de cartão de crédito e acha que vai morrer afundado em dívidas caso possua um.




Juliana Cunha

Enquanto isso, no Butão – um país do tamanho da Suíça espremido entre a Índia e a China – o quinto “rei dragão” Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, 31, se casa com a estudante plebéia Jetsun Pema, 21.
O povo gosta do rei porque ele prometeu proteger o Butão dos danos da globalização, mas também porque os butanenses – e só os butanenses – acham que ele é a cara de um outro rei: Elvis Presley. Coerência teve muito trabalho na China e ficou devendo aquela visita diplomática ao Butão.
De todo modo, achei o casamento lindo, as roupas incríveis e a cerimônia foi no meio do povo. Vale ressaltar que meu conceito de “no meio do povo” tem mais a ver com isso aqui do que com isso.
Outra coisa bonitinha – e doida – sobre o Butão é que eles superaram o conceito de PIB (Produto Interno Bruto) e medem o desenvolvimento econômico do país pelo seu próprio indicador: “Felicidade Nacional Bruta”. O maior problema nacional, como era de se esperar, é o abuso de drogas.
As fotos abaixo são da Vogue Itália e me fizeram lembrar que o mundo é um lugar muito mais legal do que a gente pensa.




Juliana Cunha

A sequência envolvendo um artista egocêntrico que decide construir uma lua para tocar em cima dela é uma das mais legais de Poucas e Boas, filme de Woody Allen sobre um músico fictício dos anos 30 que era o segundo maior de sua época, atrás apenas do cigano Django Reinhardt.
Pelas fotos abaixo, que tirei do blog How To Be A Retronaut, muito antes de pisar na lua o que o homem queria de verdade era sentar na lua, dar um sorrisinho e bater uma foto.
Woody Allen deve ser muito fã de Django Reinhardt, afinal, fez Poucas e Boas só para falar de um jazzista incrível e metido, mas que desmaiava quando ouvia Django e incluiu músicas dele em Stardust Memories.
♫ Django Reinhardt, Stardust ♫

Juliana Cunha

Enquanto William e Kate se casavam, os súditos comemoravam um passeio de bicicleta num dia de sol ou um sanduíche de Bacon. Na contramão da indústria que vendia pratos comemorativos com o casal real, o ilustrador Owen Davey fez uma série de 33 pratos em homenagem às nossas minúsculas vitórias do dia a dia.
Davey mora em Bristol, sudoeste da Inglaterra, e foi eleito o grande jovem talento do design britânico em 2011.








Juliana Cunha

Que diabos um crítico literário quer dizer com termos como “voz de uma geração”, “aclamado” ou “emotivo”? Janice Harayda, do blog One-Minute Book Reviews, não aguentava mais tanto eufemismo, por isso, começou a abordar pessoas do mercado editorial via Twitter e pedir definições mais claras sobre adjetivos e termos frequentes nas resenhas.
O resultado é lindo: só tem pedrada.

“Novela” = conto com letra grande, segundo o diretor de publicidade da Simon & Schuster Larry Hughes
“Épico” = longo demais, segundo a escritora Sheila O’Flanagan
“Lírico” = não acontece muita coisa, segundo o editor da Bloomsbury Press Peter Ginna
“Aclamado” = vendeu pouco, segundo o editor da Bloomsbury Press Peter Ginna
“Erótico” = pornográfico, segundo o editor da Bloomsbury Press Peter Ginna
“Emotivo” = o personagem principal é um cachorro, um homem velho ou os dois, segundo a poeta e colunista do The Nation Katha Pollitt
“Capta o tempo em que vivemos” = capta o tempo em que vivíamos dois anos atrás, segundo o crítico Mark Athitakis
“Estreia promissora” = muitos erros, mas nada ruim demais, segundo o crítico Mark Athitakis
“Voz de uma geração” = datado, segundo o escritor Mark Kohut
Quem quiser ler mais algumas definições em português pode ir ao blog do Almir de Freitas. Para ler todas em inglês passe aqui e aqui.
Juliana Cunha

Alexa Chung é amor com suas roupas incríveis, namorados legais – como o fotógrafo David Titlow e o cantor Alex Turner, do Arctic Monkeys - e vibe groupie assumida.
Sempre fico esperando o momento em que vou cansar dela, mas ainda não veio.
“It’s the groupie vibe that I’m attracted to. They had these amazing love affairs, and both the men and the women were made amazing by them. The girls in the Sixties were never overshadowed by the men they dated. You can talk about Jane Shrimpton without having to mention Bailey or Terence Stamp first”.
Eu acho que ela é uma Sofia Coppola hipster, mas é claro que ninguém vai concordar.
♫ Arctic Monkeys, Piledriver Waltz ♫







I heard the nun happy ending it sort of sounds
like you’re leaving
I heard the piledriver waltz, it woke me up this morning
You look like you’ve been for breakfast at the heartbreak hotel
Inside of a back booth by the pamphlets and
the literature on how to lose
Your waitress was miserable and so was your food
If you’re gonna try to walk on water make sure you
wear your comfortable shoes
Juliana Cunha

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