Revista Viagem e Turismo

Fiz uma matéria sobre o imenso sítio específico que Stephan Doitschinoff fez na periferia de Lençóis. A matéria foi publicada na Revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, edição de Fevereiro de 2010.

Juliana Cunha

Keep calm

Mensagens de fofura e edificação para esse dia sagrado.

Para ouvir (e ver o clip!): She & Him, In The Sun.

Juliana Cunha

Tic Toc Apocalypse

Amanda Visell é uma ilustradora e artista plástica incrível. Alguns dos meus brinquedos favoritos na Kidrobot são dela, como o Dunny unicórnio e o banquinho Log Stool.

Agora a Kidrobot vai lançar uma coleção mais acessível de toys da artista, a Tic Toc Apocalypse. Composta por 14 criaturas, a coleção será vendida em blind box a partir de abril, por US$9,95 cada.

Juliana Cunha

Personal Saci

Estudar (USP), trabalhar (freelas), estudar de novo (Senac), quem curte? Eu nem tenho curtido, mas, podemos dizer que estou passando por uma temporada (longa, se eu aguentar), meio gata borralheira. Todo dia, quando o despertador toca às seis horas, olho para o céu ainda meio escuro e penso que o celular está de brinks. Sexta-feira é a redenção, o dia em que não tem aula na USP. Segunda e quarta atendem pelo nome de tortura: saio de casa às seis, volto duas horas, saio de novo às seis da tarde e volto onze da noite.

Convicção sobre a utilidade de qualquer uma da coisas que estou fazendo: nenhuma.

Acho uma coisa bonita de meu Deus a certeza de algumas das minhas colegas de faculdade sobre o que elas querem da vida. Querem se formar, fazer mestrado na USP, fazer doutorado na USP e trabalhar na USP. Quando entrei na UFBA, muito tempo atrás, queria a mesma coisa, menos essa parte de trabalhar lá. Nessa parte eu nem pensava. Queria me formar e ficar estudando enquanto desse porque, assim como na escola, isso me dava uma perspectiva evolutiva da vida. “Passar de ano” é uma coisa que diz muito concretamente que seu ano foi produtivo e que a sua vida andou. Disfarçar falta de rumo com estudo é uma técnica milenar e muito disseminada na minha família.

No trabalho ninguém passa de ano e é muito comum a pessoa demorar anos até ter qualquer tipo de promoção que possa dar um décimo da sensação. Nem preciso dizer que como freela a sensação de movimento é zero. O que eu faço hoje é o que fazia há um ano e o que farei daqui a cinco anos caso continue nessa.

Em suma, eu trabalho com jornalismo há cinco anos, faço Letras na USP e Comunicação Visual no Senac e não tenho e menor ideia se quero passar o resto da minha vida fazendo qualquer uma dessas três coisas.

Estou lendo um livro de Jean Pierre Vernant chamado “O Universo, Os Deuses, Os Homens”. Ele escreveu esse livro sobre mitologia grega para o neto, o que achei fofo e apropriado para minha idade mental. Gosto de livros for dummies e não acho que seja uma classificação pejorativa. Livro for dummies é livro que você vai entender mesmo sem ter nenhum conhecimento prévio do assunto. Tem um livro com o melhor título for dummies ever: “Maio de 68 explicado a Nicolas Sarkozy”, de André e Raphaël Glucksmann. Nunca li, mas o título é impagável. Onde eu estava mesmo? Ah, sim, no livro do Pierre Vernant. Tem uma parte em que ele diz que os outros Deuses chamavam Krónos de “o Crono dos pensamentos marotos”. Cronos tem sido, tanto na perspectiva diária como quando olho para o futuro, meu personal saci.

Juliana Cunha

598 210

Acho que finalmente estou pegando o jeito com a câmera do iPhone. Nessa mini-série, as duas primeiras fotos foram feitas com o aplicativo Lomo, mas as últimas estão limpas, sem nenhuma edição ou filtro e eu gostei mesmo assim. As duas primeiras fotos foram feitas no Jardim de Napoli. A última foi feita no Diner 210, restaurante novo do Benny Novak que super vale a visita.

A penúltima foto é tipo um poste com uma cúpula e o número do prédio impresso nela. De um determinado ângulo, a imagem ficava assim, parecendo uma bola luminosa na escuridão. Fiquei bastante feliz com essa foto, até postei uma foto intencionalmente ruim do poste no Flickr para vocês fazerem a comparação. Só faltava o número do prédio ser 8.

Se hoje eu já consigo encontrar o ângulo bom de um poste, talvez um dia consiga encontrar meu próprio ângulo bom, isso assumindo que ele de fato exista. Fotografia é treino, acredito nessa máxima.

Juliana Cunha

I don’t give a damn

Quando o melhor diagrama de Venn ever se encontra com a melhor fala do cinema o resultado é esse aí: um adorável fica a dica da semana. Frankly, my dear, I don’t give a damn.

Se as pessoas para as quais eu não dou a mínima ao menos fossem alfabetizadas e capazes de compreender referências, a vida seria mais bonita.

Juliana Cunha

Povos do Mar

Antes dos gregos, na mesma península, viveu o povo micênico, que provavelmente foi quem de fato fez a Guerra de Tróia. Em dado momento, os micênicos estavam super bem, fazendo casinhas e construindo uma civilização quando chegaram uns tais Povos do Mar.

Até hoje os arqueólogos não sabem direito quem era essa galera, mas ela veio e destruiu tudo, sem nenhum objetivo de conquista. Tipo uma invasão bárbara ainda mais insana e anarquista.

Acho que eu sou totalmente descendente dos Povos do Mar. Praticamente um dementador em muitos e muitos aspectos. Ser um trem descarrilado não é um caminho, é um jeito de viajar.

Juliana Cunha

Cuspindo no prato

Para começar, seria mentira dizer que sinto muita falta de Salvador ou que sou extremamente apegada à minha cidade. Na verdade, acho que meu apego a lugares é sempre muito restrito. Sempre que mudei de apartamento, por exemplo, ou quando meus pais ficaram sem dinheiro e tive que mudar de escola, eu achava que seria terrível, que teria saudades horrendas, mas nem passou perto de ser assim.

Também não dá para dizer que não gosto de São Paulo. Gosto bastante daqui, do meu apartamento, amigos recém conquistados, namorado, sogra. Dói horrores não ter Laika comigo. Laika é meu conceito de família, totalmente. Eu morei mais tempo com Laika do que com meu pai, por exemplo. Meu pai saiu de casa. Ficamos eu, minha mãe e minha irmã. Eu e minha irmã e Laika saímos de casa. Depois minha irmã se mudou. A constante da vida sempre foi Laika. Até que eu abandonei Laika e até hoje não consigo ver de outra forma. Tecnicamente ela foi expulsa do prédio, mas tecnicamente é para os fracos, como todos sabemos.

Enfim, não era disso que eu ia falar. Copo d’água, lavar o rosto e voltar para o assunto.

O que eu realmente ia falar era que, embora eu goste de São Paulo e seja definitivamente não bairrista, é muito notório o quanto paulistanos em geral (observe que não estou falando de todos nem de ninguém especificamente etc etc) são mais provincianos e auto-centrados que o resto do país. Evidências:

1) Quando dizem que eu “quase não tenho sotaque”, na maioria das vezes não é uma impressão ou a constatação de um fato, é um elogio. Sim, eles consideram elogioso dizer que você “não fala como baiana e poderia passar por paulistana”. Tenho um certo asco de gente que considera sotaque como defeito. A repulsa se acentua em relação a brasileiros que, por morarem fora, terem morado fora ou feito inglês por correspondência mesmo, acham bonito se vangloriar de “não ter sotaque”. Olha, eu poderia perder um tempo falando sobre como é tecnicamente (sim, coisa de engenheiro mesmo, com cálculos) impossível não ter sotaque. Ter uma pronúncia boa no idioma é bem diferente de não ter sotaque. Mas vamos centrar a questão assim: por que diabos a pessoa acha bonito não parecer ser o que ela é? “My Fair Lady” ligou e pediu o professor Henry Higgins de volta.

2) Paulistanos acreditam que não existe branco na Bahia, daí tratam como aparição da Virgem quando eu digo que, sim, sou de Salvador, meus pais são de Salvador, meus avós são de Salvador e apenas meus bisavós são gringos (isso se você considerar espanhol como gringo. Not). No começo eu respondia com educação, mas agora as respostas variam entre “Sim, e a Daiane dos Santos é gaúcha” e “O genocídio étnico da região foi contra os índios”.

3) Paulistano não faz a menor ideia de quantos estados o nordeste tem, quais são, se Recife é uma cidade ou um estado, se Sergipe é do lado da Bahia ou encostado no Norte, se quem tem a cabeça achatada é cearense ou piauiense etc. Aparentemente, todos integram a Grande Bahia e o povo é uma espécie de mix de defeitos e estereótipos de todos os estados. Podem imaginar como é simpático ser vista não só pelos defeitos e estereótipos do seu Estado, mas também pelos dos vizinhos e nem tão vizinhos.

4) Quando passei na USP, muitas pessoas praticamente me disseram que agora sim eu ia fazer uma universidade de verdade. Paulistano acredita que o Brasil tem a USP, bem abaixo a PUC, o Mackenzie e algumas instituições de nicho (tipo ESPM e FAAP) e, no esgoto, todas as federais do país. Particular e estadual fora de São Paulo é escola de ensino médio for dummies. Engraçado, porque as avaliações acadêmicas dizem o contrário. A UFBA, por exemplo, tem notas melhores que as da PUC e do Mackenzie em praticamente todos os cursos e não fica vergonhosamente atrás da USP. Quando você apresenta esses dados a um paulistano, ele refuta dizendo que as universidades do nordeste “podem até ser boas, mas não são reconhecidas e seu diploma não vai ter peso”. Reconhecidas por quem, cara pálida?

5) Quase ninguém considera a possibilidade de se mudar dentro do Brasil e realmente parecem acreditar numa escala evolutiva entre as cidades, que evidentemente coloca São Paulo no topo, Rio vinte degraus abaixo e o resto do país no esgoto, mesmo esquema das universidades, dos empregos, das empresas e de tudo na vida.

6) Acreditam que o fato de você (no caso, eu) morar em São Paulo e muitas pessoas todo ano se mudarem para cá confirma a teoria de que São Paulo é legal e o resto do país é uma porcaria. Não, eles não sabem que as pessoas se mudam por outros motivos, como família, emprego etc. Ou simplesmente por gostarem da cidade, sem necessariamente desprezar o resto do país na carona.

Juliana Cunha

Frank Warren

PostSecret é leitura obrigatória dos meus domingos e, como estava falando sobre esse site com a minha prima Karina essa semana, resolvi postar uma homenagem a ele.

O PostSecret é um blog mantido pelo palestrante motivacional (sim, eu sei, tem tudo para cheirar a loser) Frank Warren. Frank recebe cartões postais customizados do mundo inteiro de pessoas que se dispõe a contar seus segredos de forma anônima. Toda semana, Frank seleciona dez segredos e publica no blog. Em 2005, quando teve a ideia do blog, ele simplesmente distribuia cartões postais na rua e implorava que as pessoas escrevessem seus segredos e mandassem de volta para ele. Hoje elas mandam espontaneamente.

A comparação mais óbvia seria com os confessionários católicos, mas o PostSecret fica devendo na aplicação de penas. Também não dá para comparar com análise sem reduzir Freud a um nível risível. Para mim, quem manda segredos ao PostSecret não procura cura nem redenção, apenas satisfaz esse desejo humano perigoso de contar as coisas, de compartilhar mesmo o que não se deve.

O blog é um sucesso de público, já rendeu alguns livros publicados com os segredos e eu me tornei fã do Frank Warren depois de ler sua entrevista para o livro “Blogging Heroes”.

Agora, um segredo meu: a única vez que enviei um segredo para o PostSecret ele não foi publicado. Já meus depoimentos no FML são sempre muito populares. Tirem suas próprias conclusões.

Para ouvir: Bob Dylan, Idiot Wind.

Juliana Cunha

Chuva e decoração

Um pequeno apanhado de projetos de decoração incríveis. Acho que nunca chegaria a contratar um arquiteto para decorar minha casa, mesmo que não existisse o óbvio empecilho financeiro. Fica bem complicado não esbarrar na artificialidade, num certo pressentimento de que aquilo não é de fato a sua casa, mas um cenário. Se bem que esse me parece um pensamento “de pobre”, sem ofensas a mim mesma.

Quando eu era criança, minha avó fez uma reforma na casa dela e encheu o armário de revistas de decoração. Na época, fiquei extasiada com um projeto de quarto infantil em que a cama era suspensa, embaixo dela havia uma casinha e, para descer da cama, a criança felizarda usava um escorregador. A única coisa que queria acrescentar ao Projeto Perfeito era um balanço no meio do quarto, coisa que sempre quis ter, sempre mesmo, até hoje. Essa me parece uma boa opção de fazer a coisa parecer legal sem ser infantil.

O piso desse banheiro fala por si.

Esse além de tudo é fácil de copiar.

O quarto dessa menina reúne alguns sonhos de consumo: o pôster lindo do padre, papel de parede com estampa miudinha, globo terrestre inserido na decoração e pisca-pisca. Já tentei colocar pisca-pisca no meu apartamento em Salvador, mas o resultado ficou catastrófico. Gostei por três dias, três noites e dez contos de réis. Fato: inserir um elemento improvisado em casa “de rico” funciona. Já em casa “de pobre” a coisa não parece um elemento de improviso, um elemento estranho e inesperado, mas uma continuação do improviso.

Esse ambiente diz “olha, eu também posso ter adega”. Acho digno. Irônica a arrumação por prateleiras, como se a temperatura mudasse de uma para outra.

Favoritíssimo, sobretudo para hoje, com esse frio simpático que combinaria com a cortininha. Fico sem saber o que é mais simpático: frio moderado ou cortininhas desnecessárias.

Clicando nas fotos tem um post inteiro sobre cada um dos ambientes. Altamente recomendável para quem estiver cochilando e vendo sites de decoração enquanto o namorado joga playstation.

Juliana Cunha